london, we meet again, at long last!

Fui embora do camp hill no fim de uma quinta feira. Era dia de reunião na casa, meu último dia oficial de trabalho. Participei sim, porque sou dessas. E o pessoal armou algumas surpresinhas. Chamaram todo mundo, inclusive os alunos, pra uma foto coletiva. É muito raro eles fazerem isso porque tem todo uma política de safeguarding, então me senti bem especial! E também me deram presentes de despedida, inclusive o cd da Adele, porque o SM. sempre fala “Hello” pra tudo e a gente ficava respondendo com “Can you hear me?“, da música dela, e ele aprendeu a dizer isso, haha! A reunião foi sussa pra mim, falei que ia sentir saudades do trabalho e participei ativamente. Inclusive a minha coordenadora ficou perguntando porque eu ia embora, porque eu era a pessoa que sabia o que fazer em várias situações do dia a dia da casa, hehe.

Infelizmente fico devendo a foto do pessoal porque é proibido mesmo postar foto das crianças =(

Fui pra casa do Junior em Londres e na sexta dei um pulo na Harrod’s. Uma loja de departamento enorme, super famosa. A família do último namorado da Lafy Di, o Dodi Al Fayed (que morreu com ela no acidente no túnel de Paris), é a dona hoje em dia e tem um memorial para eles no subsolo. É tão brega que nem tirei foto disso! Mas a loja em si é super luxuosa, bem mais que a Galeries Lafayette em Paris. É meio opressivo até. Dei umas voltas lá dentro, já tava desistindo da vida quando achei o corner da marca própria, e só então consegui viver. Mas mesmo assim só pelas lembrancinhas da cidade. Pra quem ama a família real, tem um espacinho com louças com a cara da rainha até.

É do lado de fora que os pobres mortais se divertem, porque tem umas lojas mais acessíveis, tipo a Zara. E lugares de comer, tipo o Wasabi, que é uma rede de fast food japa. Pra quem procura sustança, recomendo porque a porção de arroz que vem é generosa e o preço é honesto.

Ai passei 4 dias em Berlim, mas conto mais em um post separado.

Na volta, fui no estúdio que a Warner usou pra gravar a saga Harry Potter, que era um dos passeios que eu mais queria fazer lá. Os estúdios Leavesden ficam em Watford, há 1h de Londres. Você pode ou comprar só o ingresso e ir pra lá por conta (de trem) ou então comprar o pacote completo. Pela preguiça, comprei o pacote completo. Devido a alta demanda, os ingressos são vendidos com horário de entrada, e ai você não pode entrar antes… Em época de pico. Como não era o meu caso, chegamos mais cedo e pudemos entrar logo.

 

Já na fila tem o armário embaixo da escada onde o Harry viveu até os 11 anos na casa dos Dursley. Engraçado que isso começou a fazer mais sentido quando eu fui morar na Inglaterra. Não que eu ache aceitável, mas sobrados são muito comuns na terra da rainha.

As pessoas entram pouco a pouco em um salão, onde um ator faz uma introdução dramática, com uns vídeos. Ai vamos para uma sala de cinema e de lá, atrás da tela, aparece a entrada para o Grande Salão Principal. Vou confessar que é bem emocionante, porque você se sente um primeiro anista de verdade! Pena que o teto não é encantado, mas todo o resto é muito perfeito!

Acho que o Grande Salão é onde eu fiquei mais tempo, porque é o primeiro contato e é o impacto de estar mesmo ali no estúdio, vendo a história que eu amo se materializar. Não se enganem, eu acredito mesmo que a maioria dos fãs que estão lá são fãs dos livros, da história, e não só dos filmes. Os filmes têm tanto apelo porque existe uma legião de leitores ávidos por viver aquilo que passamos anos lendo!

Tem bastante informação de como eles tentaram adaptar aquelas coisas lindas dos livros feitas de mágica, para as telas. E como fazer isso debaixo de holofotes, em dias exaustivos de filmagem. Tem coisa que demorou semanas pra ficar pronto.

Obviamente não tem a reconstrução completa de todos os cenários usados nos 8 filmes. Ficaram mais aquelas coisas que foram mais usadas, que apareceram mais e em mais filmes.

A parte mais legal, claro, é estar dentro de Hogwarts!

A coisa que eu mais queria desse escritório do diretor é a Penseira! Podia ser até vazia mesmo.

A maior parte dos cenários está numa parte coberta. Além dos cenários em si, tem muitos props, objetos de todo o tipo que tiveram que ser criados pela natureza da história. E tudo tem uma explicação, principalmente de como o departamento de arte teve que inventar esses objetos mágicos… Sem mágica!

Quem disse que eu não entrei no Expresso de Hogwarts? 😉

Eu dei a sorte de pegar a casa dos Dursley lá, e ainda esse mês (acho?) eles vão abrir pra ver os cômodos. Eles gravavam in loco, até perceber que seria um cenário recorrente e recriarem a casa no estúdio (aparentemente construir uma casa é mais barato do que pagar pelo uso da imagem e o deslocamento e tals…).

Eu gostei muito de ver o Bicudo! Nerd? =P

É indicado separar pelo menos 3h do seu dia para passear ali dentro, e deu certinho. Só que eu não fiquei inspecionando tudo minuciosamente como vi algumas pessoas fazendo, então quem for mais enlouquecido, é bom separar mais tempo. Como disse, não era época de pico, porém comprei um pacote e tinha hora de ir embora. Eu tive tempo de comer e de descansar lá fora, além de ver toda a parte de merchandise. Não comprei nada além de um Funko do Harry porque era tudo muito caro, eu achei lá uma blusa de tricô que era umas 4x mais cara que uma que eu comprei na Primark, ENGOALZINHA! Então #fikdik, visita a Primark em Londres antes de se jogar na lodjenha do estúdio.

Nos outros dias que tive livre, fiz um barhop com a patota portuguesa do Junior e do marido dele e acabamos em uma lanchonete super delicinha, super cara de Vila Madalena/Pinheiros onde comemos um hambúrguer bem honesto, acompanhado de… Vinho tinto! Juro que combina, haha! Não fui pra balada porque ia ficar tarde e caro…

Antes de vir embora, ainda peguei a final do Eurovision, uma competição musical em que cada país escolhe seu representante e ai a Europa inteirinha assiste e vota online ou por telefone. São mais de 20 performances, mas é bem interessante. Tem do ruim, ao bizarro, ao muito bom. Desde o ano passado a Austrália participa como convidada e esse ano eles quase ganharam! Foi divertido porque uns amigos do marido do Junior foram lá e fizeram um jantar bem gostoso, rimos muito e também bebemos consideravelmente. Ah, a Europa pode ser bem divertida!

new beginnings

Quem passa por aqui com mais frequência deve ter notado uma pequena diferença no layout do blog. Estou me preparando pra nova fase dele. Não se preocupem, ainda tenho alguns posts sobre as últimas semanas na Europa, que vou postar nas próximas semanas. Mas quando esse assunto acabar, vou começar a postar sobre as outras grandes viagens que fiz ao longo da vida.

Quando estava em Berlim, conheci um grupo de canadenses que acabou de se formar na faculdade. Um deles se espantou de eu conhecer vários lugares, mas como eu disse, eu só tenho cara de nova, né! Hahaha!

Então o blog não morre só porque eu voltei mais cedo do voluntariado. Keep your eyes open for new posts to come!

see you, great britain!

Então eu resolvi ir embora do voluntariado. Claro que muita gente perguntou porque, e eu vou explicar.

Eu passei 4 meses trabalhando praticamente sem “folga”. Claro que eu tive folga, mas não teve break pra mim nem nada. Cansa, viu? Tava meio de saco cheio de tudo. Mas ai vinha as férias de Páscoa e eu achei que o sentimento de querer ir embora ia melhorar.

Pra quem não sabe, passagem tem validade. Essas que saem em promoção em geral tem 3 meses, ou seja, você pode usar a perna de volta até 3 meses depois que usou a perna de ida. Eu comprei uma passagem de 1 ano, que é mais cara. Porém, também existe uma regra na aviação que não se pode marcar a volta com mais de 300 dias a frente da data em que se está fazendo a reserva. Ou seja, eu não consegui marcar a data de volta da passagem pra agosto, mas claro que eu poderia remarcar a volta pra quando eu quisesse. A última data que conseguiram marcar na minha passagem era pra meio de maio.

Passou as férias e nada mudou em relação a vontade de voltar pra casa. No fim do ano passado, minha cunhada descobriu que estava grávida, e a princípio eu estava ok em perder o nascimento, afinal, bebê não lembra de nada mesmo, mas a medida que a data foi se aproximando, comecei a sentir que estava perdendo um momento importante na vida da minha família. O bebê não vai lembrar se eu estava ou não no hospital quando ele nasceu, mas meu irmão vai. Eu vou.

E somando-se a isso, eu comecei a me irritar de viver na comunidade. Pros jovens é mais fácil, mas eu já tinha uma vida toda independente no Brasil e pequenas coisas começaram a me irritar ainda mais. É internet bloqueada, é não poder receber amigos em casa, é sentir que decisões sobre o meu bem estar eram tomadas sem nem me consultar antes. Tudo isso começou a pesar negativamente e eu senti que não valia a pena passar por esse stress e ainda perder um momento importante.

Foi com dor no coração que deixei o trabalho, porque trabalhar na minha casa era ótimo. Minha coordenadora é a melhor, o time é incrível e os alunos… Eles são demais. Especiais da melhor forma possível. Jamais teria deixado o trabalho, mas a vida na comunidade já não valia mais a pena pra mim.

Muita gente vai parar aqui pra saber se vale a pena fazer esse tipo de voluntariado, e apesar dos pesares, eu digo que vale sim muito a pena. As circunstâncias da vida me fizeram voltar, mas provavelmente se não fosse o meu sobrinho, eu aguentaria mais. Mas algo que aprendi nesse tempo é que a gente não é obrigada a nada e que a gente tem que fazer aquilo que nos faz feliz.

Deixei a Sheiling no dia 5 e minha passagem era pro dia 15. Nesse meio tempo fui viajar, e depois conto um pouco mais sobre isso. Por enquanto, vou me ajeitando de volta ao meu lar. E vou lá curtir o sobrinho <3

spring has sprung! or has it?

O tempo nessa terra é meio louco. Semana passada, última semana de abril, oficialmente primavera a mais de mês e… Nevou por aqui!!! Já tava achando que não ia ver mesmo neve dessa vez, mas ela chegou por aqui… Quando fui pro intercâmbio no Quebec também vi neve no fim de abril, mas né, é Canadá, quando é que não neva? Hahaha!

Essa minha última semana de trabalho foi a mais tranquila possível. Pra mim, parece que os alunos voltaram muito mais felizes do break da páscoa e isso tem feito o trabalho muito mais feliz. É verdade que tivemos 3 dias de incidentes com o M., mas mesmo ele está bem feliz agora. O J. com certeza está menos ansioso, e acho que está feliz também de poder usar o trampolim, já que não tem chovido tanto e os dias são mais longos.

No sábado aparentemente depois que eu terminei meu turno tudo deu errado. Quando voltei para o jantar, meu deputy estava enlouquecido na cozinha tentando fazer 20 coisas ao mesmo tempo! Ai eu fiquei pra ajudar, porque não me custava nada. Acho que a convivência dos voluntários tinha que ser mais assim, mas as vezes eu sinto que a gente vive meio escondido nas nossas horas vagas =/.

Mas nem tudo é caos, e acho que o aluno que voltou melhor mesmo da páscoa foi o SM. Nossa, que pessoa feliz, motivada… Ele tem ajudado muito em tudo, não só no comportamento, mas como ele está feliz, ele ajuda com as tarefas. Ele mesmo se propõe a ajudar e isso o deixa muito satisfeito.

No domingo, ele recebeu um convite pra almoçar em uma das casas em que ele morou quando era criança. Ele falou disso a semana inteira. De manhã foi na missa, depois saiu para uma caminhada e até colheu flores pra dar para a coordenadora da casa anfitriã! No horário, eu o levei até lá, e nossa, acho que nunca vi alguém tão feliz na vida por algo tão simples!!! Ele sentou na cozinha pra conversar, ajudou a chamar todos para o almoço, e até sentou na mesa com todos juntos (em casa ele espera todo mundo entrar)! Fez a prece e esperou todo mundo começar a comer. E na mesa ele tinha a expressão mais feliz, tão feliz que tinha até lágrima nos olhos!!! Ele me olhava com o maior sorriso que eu já vi! Óbvio que no fim ele não queria ir embora, mas fiquei feliz de ter visto isso, e fiquei feliz por ele também =).

No dia seguinte, teve o tal do Sports Day, um dia de gincanas com todo mundo. De manhã eles decoraram um carrinho de mão com o tema escolhido por cada casa e as camisetas com a cor também. Depois do almoço, fomos todos pro descampado participar de várias atividades. É meio que um open day pras famílias também, então vários pais estavam por lá. Eu participei de… 2 atividades, haha! Mas foi legal assistir, e foi um dia bem relax. No fim, todo mundo ganhou medalha e saiu feliz!

Na terça nem era meu dia de trabalho, mas a casa estava um caos de novo a noite e acabei ficando um pouco pra ajudar. Mas vejam bem, agora que a primavera está aqui, os dias escurecem lá pelas 21h… E eu tive que colocar aluno pra dormir as 19h! Por sorte era um aluno que não tem nenhum problema pra dormir, mas foi um dia muito atípico!

O A. foi o primeiro aluno que eu supervisionei quando o ano começou… E acabou sendo o último que eu dei suporte também. Yep, o voluntariado acabou pra mim, estou indo embora (de fato, quando esse post for ao ar, eu já estarei fora daqui). Muitas coisas me fizeram querer ir embora, mas a maior delas é que eu vou ser titia logo menos e eu não quero perder o nascimento do meu sobrinho. No próximo post conto melhor sobre a decisão e a logística. Porque agora eu tenho mala pra fechar!

como que fala? salisbury?

Aqui perto tem uma cidade chamada Salisbury. Eu, com todo meu inglês americanizado só fui aprender a dizer esse nome a duras penas. Porque parece um nome fácil, mas a pronúncia real é toda errada. A pronuncia daqui é Sósbury. Não faz sentido, né?

Mas fazendo sentido ou não, no último domingo fomos visitar a famosa catedral da cidade. Famosa mesmo, porque encontrei com alguns grupinhos de brasileiros (viajando pra terra do dinheiro mais caro apesar da crise).

A cidade em si é uma gracinha (mas não ficamos passeando), mas nada demais. A catedral realmente é muito bonita. Foi construída lá pelo século XIV e está super bem preservada. Tem um dos relógios mecânicos mais antigos do mundo, que ainda marca a hora (quando chegamos ele estava tocando e um dos alunos ficou alucinando querendo ir ver como que funcionava). E tem um monte de gente enterrada, dentro e fora do corpo da igreja!

Em volta tem um jardim lindo e umas casas que devem ser mais ou menos da mesma época, que ainda são usadas de moradia e comércio. Essa parte da cidade é murada, parece um mini-forte. As vezes eu ainda fico impressionada que essas coisas são tão antigas e continuam de pé. E elas ficam ainda mais bonitas em um dia de sol como no domingo =)

Esses dias andei reparando que minhas habilidades culinárias melhoraram consideravelmente e minha relação com a cozinha também melhorou muito. Antes eu tinha uma preguiça monstro de pensar em cozinhar, e hoje até que eu gosto. É verdade que cozinhar aqui as vezes significa ficar em paz sem ninguém enchendo o saco, mas vira e mexe as pessoas elogiam a comida e a criatividade. Acho que falta um bocado disso aqui. Já estou até imaginando o estado que ficará a cozinha da minha mãe quando eu voltar, hahaha! No domingo fui eu que preparei a sacola do pic nic e na segunda esquentei as sobras pra janta e ainda preparei jantar diferente pra 2 alunos com cardápio diferenciado. E um deles comeu de raspar o prato!

A primavera está chegando timidamente por esses lados e os dias tem melhorado bastante. Na maioria do tempo, a temperatura chega a dois dígitos e tem feito bastante sol. Claro que chove, e ontem o Junior me disse que nevou em Londres (por aqui caiu bastante granizo daquele pequenininho), mas os dias também tem ficado cada vez mais longos e já dá uma melhorada na moral da galera, né? Até aposentei o casaco de neve pela temporada já, hahaha!

Com a chegada da primavera também começamos a cuidar melhor do jardim. Alguns dias da semana os alunos preparam a terra e plantam sementes em volta da casa ou transferem mudas (dessas de super mercado mesmo) para vasos maiores para enfeitar mais o ambiente. Minha única colaboração pra jardinagem até agora foi sentar com um dos alunos e olhar. Porque tá ai um treco que definitivamente não é a minha! Meu pai adorava uma plantinha, já eu sou capaz de matar uma planta de plástico num pote!

Tenho sentido que desde as últimas férias os alunos tem melhorado muito de comportamento e tenho me divertido ainda mais no trabalho. O SM está num humor excelente e temos conseguido fazer ele participar de muitas atividades. Inclusive a minha coordenadora descobriu que ele e o J. fazem uma dupla incrível e agora são “amiguinhos”. Dá uma satisfação enorme quando a gente consegue fazer esse tipo de interação acontecer. Eles dividem atividades ao ar livre e curtem as mesmas músicas, por exemplo. Também sinto que o M. está mais feliz, outro dia apareceram com um aparelho que tem uns botões e 3 opções de música pra ele ir escolhendo e ele ouve sempre a mesma música. Mas ele presta muita atenção naquilo, acho fascinante observar! E as vezes ele levanta a cabeça e procura o nosso olhar pra sorrir! Acho que só trabalhando com necessidades especiais a gente consegue saborear esses momentos de verdade…

Descobri também que definitivamente prefiro o trabalho na casa do que na escola, mas mesmo as aulas tem sido proveitosas, talvez porque eu sempre consiga dar um jeito de ficar nas salas que eu gosto mais, haha! Esses dias fui fazer compras com um dos grupos e o alarme de incêndio tocou 2 vezes, e a gente teve que começar a evacuar o local (mas no meio do caminho disseram que não era nada). O que pode parecer uma chatice no fim se torna uma aventura se você mantiver o humor certo. Eu estava com uma menina que as vezes não gosta de trabalhar com pessoas diferentes, mas como ando aparecendo sempre na sala dela, ela tem confiado mais em mim e nesse dia a gente saiu rindo da loja e eu percebi que ela tem interagido mais comigo =)

Essa semana o Junior volta pro trabalho e já estou ansiosa pros shifts com ele de novo! E o melhor? Essa semana também tive 3 dias de folga. Yay!

quando o trabalho não parece tanto trabalho assim

Não vou mentir, foi muito difícil voltar pro trabalho depois de passar 1 semana em Paris. Foi mais difícil ainda voltar a comer a comida sem graça da Inglaterra, que ficou pior ainda se comparada a cozinha francesa. Mas depois de 1 semana da volta, posso dizer que poucas vezes na vida me senti tão feliz e motivada no trabalho =).

O primeiro domingo foi muito tranquilo, saímos pra uma caminhada na floresta “oficial” (New Forest) e tomar um lanche no pub enquanto o Júnior preparava o jantar em casa.

Achei que a segunda seria péssima e na verdade nem foi. Até ficar sentada no chão da sala de aula com o aluno não foi tão ruim assim. Apesar de ele não parecer estar muito afim de ir pra aula, ele prestou atenção em tudo o que eu disse e consegui uma resposta pra tudo que perguntei (sim e não, claro). A noite foi ok, apesar de ficarmos em casa porque temos pouco staff até pra fazer uma caminhada da floresta “local”.

Ai na terça e na quarta já tive folga, deu pra descansar um pouquinho. Lavei as roupas, fiz compras de supermercado e fiquei zanzando pela casa. É bom aparecer no trabalho quando a gente tá de folga, dá pra conversar com as pessoas, mesmo que elas estejam trabalhando, haha!

Na quinta era pra ter reunião, mas não teve, e tratei de logo ir pra sala que eu sabia que ia ter uma atividade “de boas”. Fui fazer pão (com direito a sovar um pouco a massa) e comer ele quentinho depois, hehe. O D. é um dos alunos mais queridos, ele não curte muito conversar, mas super se empenha nas atividades e fica feliz com o resultado!

O almoço da sexta foi meio tenso porque tive que ficar de olho em 2 alunos e ainda teve um terceiro que queria muito carinho. Muito! Ficou me abraçando um tempão, ai na hora da distração um dos outros alunos roubou um osso de frango do meu prato e moeu todo! Pelo menos não se engasgou nem nada! E depois tive que trocar a fralda do outro aluno e foi difícil, cocô endurecido, aluno enfezado… Mas depois corri pra sala que eu gosto de ficar nas sextas e o mundo voltou a ser um lugar melhor, fiquei com o C., um dos gémeos, de quem eu estava com saudades (porque ele e outros alunos foram pra day house). Ele foi tão fofo, tava tão feliz! Talvez fosse saudades de mim também? Hehe, vou fingir que era! A noite fiquei com o J. e ele estava bem melhor do que no fim do bimestre passado, bem menos ansioso, a gente brincou e ele só deu um trabalhinho pra dormir, mas eu fingi que dormi no sofá do quarto dele e ai ele dormiu também, hehe #táticas

O sábado foi ótimo, apesar de começar cedo. Fiquei com o SM. que pode ser cansativo porque ele não pára de falar, mas ele estava muito bem, inclusive acho que ele voltou muito melhor das férias. Ri muito com ele e ele foi mesmo um amor. Foi bem prestativo e até ficou um tempo sozinho no quarto, o que é um milagre! Fomos no mercado, ele desceu pra procurar bateria na loja de conveniência e ainda almoçamos fora e ele se comportou maravilhosamente! Depois fui com o shift leader fazer compras de supermercado, foi cansativo mas foi divertido. O único ruim é que troquei o fim do sábado pra começar domingo cedo e 2 dias cedo é puxaaaaaado.

Mas o melhor de tudo é que durante a semana toda escutei de diversas pessoas que eu e o voluntário filipino somos “membros valiosos da equipe” e que eles não querem que a gente vá embora! E os turnos tem sido mesmo muito gratificantes e divertidos, todo mundo da casa forma um time bem coeso, é uma “máquina” que funciona muito bem e fica difícil pensar como vai ficar com “peças” a menos.

Eu sempre penso que eu nunca trabalhei num lugar onde eu realmente gostasse do trabalho tanto quanto aqui. Existe uma gratificação real de se trabalhar com necessidades especiais. Tipo o SM. que aprendeu que depois que ele fala “Hello” a gente sempre repete “Can you hear me?” da música da Adele e agora ele mesmo já diz as 2 coisas juntas (e é hilário!). Ou o sorriso do M. quando a gente brinca com ele. A evolução do R. que nem subia as escadas no primeiro dia dele aqui e hoje ama até um bom banho de banheira. Todas as manias do N. que todo mundo da casa já pegou (principalmente o staff)! E por ai vai…

Aquilo que eu queria, que era fazer a diferença pro mundo, acho que eu descobri como fazer <3

paris, je t’aime!

Então que na semana passada fui fazer a viagem que mais queria fazer desde que cheguei aqui na Europa: conhecer Paris! Vou contar um pouco através das legendas das fotos, mas quero agradecer a Amanda e o Pawel por terem me recebido tão bem! Eu não só dormi na casa deles, mas fiz parte da vida deles! Muito obrigada, mesmo, foi tudo ótimo, todos os passeios e as conversas e principalmente, as muitas risadas!

Resolvi ir de trem para Paris. O Eurostar parte de Londres e leva só 2h30 de estação a estação. A vantagem do trem é que tem permissão de bagagem (nas cias aéreas mais baratas tem que pagar por bagagem despachada) e não tem que se apresentar com tanta antecedência pro check-in, além de que as estações ficam no meio da cidade. O Eurostar não é a opção mais barata, mas vale a pena por todos esses pontos, e é bem confortável (porém acho que o trem balança mais do que o trem bala no Japão).

 

Cheguei no sábado a noite, debaixo de uma chuva chata. No dia seguinte o tempo amanheceu lindo, ensolarado e QUENTE! Dei um passeio por Batignolles antes do almoço (e descobri que a Champs Elysee fica ali pertinho) e depois a Amanda me levou pro Trocadero, de onde se tem a famosa vista da Torre Eiffel. Acho que nunca vi um lugar tão lotado! Ainda demos uma volta pelo Sena até a Champs Elysee, onde encontramos totalmente por acaso com o Henrique T. e a família.

 

No fim do dia fomos comer uns crepes bem franceses em St Michel e visitar o Pawel no trabalho. Ele nos preparou esses martinis (café e chocolate) e depois ainda subimos na cobertura do hotel para tomar champagne com vista pra Torre Eiffel iluminada. MUITO CHIC!

 

No dia seguinte fomos comprar o ingresso pra Disney na Fnac de St Lazare e depois fomos turistar na Galeries Lafayette. Um mundo de luxo e ostentação, com uma cobertura com vista pra Torre (claro!) e pra Opera.

Como esperava, comi muito bem em Paris! Difícil achar comida ruim por lá. O Le Paradis des Fruits é um dos restaurantes favoritos da Amanda, você escolhe os ingredientes do prato que ainda tem a salada e as fritas. E o suco de laranja lá é espremido na hora 😉

Depois andamos até o Jardim das Tulherias, onde sentamos ao redor de um chafariz. Tem bastante em Paris, cadeiras de ferro soltas em volta de lagos pro pessoal sentar e descansar. Depois andamos até a piramide do Louvre. Nesse dia também fomos a uma das primeiras lojas da Chanel, na Place Vendome, mas lá só vende jóia, haha! Porém a senhora que nos atendeu foi uma das pessoas mais finas e educadas que encontrei em toda a viagem. Nos indicou a loja certa e finalmente comprei o perfume que eu queria!

Claro que não podia faltar a pataquada! Mas não entrei no museu nesse dia.

No dia seguinte fomos pro passeio que eu mais queria fazer: Paris Disneyland!!! A Disney resolveu investir nessa Disney depois do sucesso que foi a Disney de Tokyo – mas esqueceram de contar o pesado fator cultural local e quebraram a cara. A Paris Disneyland não é um fracasso total, mas em comparação as outras Disneys, deixa sim a desejar. A parte estrutural é impecável, mas faltam as lojas nas saídas de todos os brinquedos (só alguns tem, em alguns você sai direto na “rua”) e a paciência de jó dos cast members. Vi um cara dando um come numas crianças mal educadas e ouvimos no interfone outra cast member sem a menor paciência de pedir para os guests se moverem na fila. Fizemos os 2 parques num dia só (a entrada custa € 74 nessa época do ano) e foi bem cansativo, mas como a Amanda já conhece bem, fomos nos lugares certos e não ficamos andando como baratas tontas.

O dia seguinte começou mais relaxado, eu já não tinha mais pés para viver! Na hora do almoço fomos visitar a Amanda no trabalho dela e passamos pelo Moulin Rouge, que fica no caminho.

Quando a Amanda acabou o turno dela, fomos dar uma volta por Mont Martre. Esse é o café onde a Amelie Poulain trabalhava no filme.

Passamos pela praça onde está o muro do “eu te amo” e continuamos até a Sacre Coeur. Eu subi de funicular (€ 1,80) e a Amanda foi pelas escadas. A vista de lá é linda, vale muito a pena o passeio! Entramos na igreja, demos uma volta, saímos e fomos dar uma volta ali atrás, cheio de cafés e restaurantes. Comi numa creperia que a primeira vista parece fuleira, mas tem um crepe ótimo, por um preço ok e a decoração é de recados, notas de dinheiro e fotos os clientes por todas as paredes e no teto também! Ah, em Mont Martre também tem ótimas lojinhas pra compras.

Na quinta, subi na Torre Eiffel. Tem o maior esquema de segurança pra entrar, com detector de metal e máquina de raio x pra comprar o ingresso, mas depois é tranquilo. Dei sorte de chegar de manhã, com um sol lindo e não ter fila (apesar de o observatório estar cheio já). Subi até o topo, fiquei pouco porque estava ventando muito gelado, mas a vista é incrível! As lojinhas lá dentro são meio caras, mas tem coisas que não se acha fora (tipo Mickey com camiseta de Paris e Hello Kitty da cidade). Desci na hora do almoço e tinha uma fila enorme!

Depois fui até a Champs Elysee e comi no Café George V. É bem turístico, mas o atendimento foi exemplar! Meu garçom foi muito simpático, disse que já foi pro Brasil, perguntou minha origem asiática… Depois o gerente passou e me cumprimentou também, perguntou se estava tudo ok… Além de ser muito gato!!! De sobremesa comi um creme brulee, claro! Não foi um almoço barato, mas o serviço compensou!

Depois do almoço rico, fui pro Museu do Louvre. Estava cheio, mas não tinha fila. O ingresso a gente compra numa tabacaria do lado de fora e depois passa pelo mesmo esquema de segurança da torre. O museu é gigantesco, corri pra ver a Monalisa primeiro e depois decidir o que ver de resto. Não tinha muito tempo, tentei ver os aposentos de Napoleão, mas devido a uma reforma, a volta que tinha que dar era muito grande, então decidi parar no jardim das esculturas e relaxar ali mesmo (lugar lindo, bem iluminado e tranquilo). Na saída do metro que dá dentro do museu tem uma loja Pandora, onde parei pra comprar meu charm da cidade e fui atendida por uma portuguesa muito simpática. Pra quem tem receio de ter que pedir informações em francês ou inglês, fica a dica 😉

Encontrei com a Amanda no fim do passeio e demos uma volta pela Rue Rivoli, ótimo pra compras, fomos até o Pompidou (um prédio ultra moderno no meio da arquitetura tradicional de Paris) e acabamos na Galeries Lafayette de novo. Passamos pela Notre Dame (mas não entramos) e experimentei o waffle francês (gauffe) da Amorino, uma sorveteria ótima que tem em todo canto por lá. Terminamos no hotel do Pawel com direito a sanduíche de apresentação impecável, com saladinha e tudo!

No último dia de viagem fui visitar o palácio em Versalhes. O palácio em si achei sem graça, tá em reforma, mas a única coisa que achei que valia a pena era o salão de cristais. Os jardins no fundo são impressionantes mesmo, lindo e super bem cuidado. O Grand e o Petite trianons são bem mais bonitos que o palácio, tem umas salas impressionantemente lindas! A única coisa que não gostei é ter que andar tanto, cansa pra caramba! Na volta peguei o trenzinho, custa € 4 e faz várias paradas, você pode pegar o quanto precisar. Ainda dei azar de entrar no palácio com uns 5 grupos de chineses, mal conseguia me mover por lá!

No último dia de viagem corri de volta na Galeries Lafayette pra comprar os últimos presentes e achei o corner da marca própria deles, que é bem mais em conta e tem coisas bem legais. Ali perto tem uma Uniqlo, onde parei pra comprar algo pro meu irmão, além de uma Fnac e outras lojas. Voltei correndo pra casa da Amanda pra pegar minhas coisas e ir embora, e ainda bem que fiz isso com tempo. Caminhei uns 30 minutos só dentro da Gare du Nord pra achar o check in do Eurostar!

Saudades de Paris? Muitas <3

guia de sobrevivência: trabalhar 48h em 5 dias

Essas férias da páscoa são maiores do que as outras. São quase 20 dias de folgadas aulas, mas alguns alunos ainda assim ficam por aqui. Eu ainda tô pra entender esse desprendimento dos pais com os filhos… Mas enfim.

Pelo menos dessa vez o Gabriel, que faz a escala, já sabia que não ia adiantar me colocar em horários muito cedo e não tive que me estressar com isso. Os dias foram longos, mas ao menos começavam depois das 10h!

Na maioria dos meus shifts eu fiquei com o DB., um menino que eu já conhecia do respite anterior, então foi bem sussa, e ele estava um amor. O Henrique T. o conheceu e também adorou ficar com ele. Eu não fiz nenhuma saída por causa dos meus shifts, mas só de ficar com um aluno tão fofo, já compensou! No último dia que eu estive lá ele estava tão de bem, depois do banho ficou dando “cabeçadas de amor”, hehe. Assim que é bom trabalhar!

Também fiquei com o HS uma noite e ele estava meio encapetado. Achei que a culpa era minha, mas outro dia vi ele fazendo pior com a outra voluntária, então o problema não era eu, hahaha! Ele pode ser fofinho quando quer, e um demônio quando é contrariado…

O único shift que trabalhei com o Henrique T. foi um longo dia que eu estava dando suporte com a Julia, da Alemanha e a nossa aluna, a RA., passou metade do tempo dormindo. Achei que seria pior, mas até que foi suave, ela estava cansada mas na hora de dormir não queria ficar na cama de jeito nenhum. A gente tentou de tudo, mas no fim do meu shift ela ainda estava perambulando pela casa toda escura…

O que eu achei chato dessa vez é que vai ter respite dos alunos mais velhos e ninguém avisou antes. Eu preferiria trabalhar com os “meus” alunos do que ter que descobrir em 5 dias como trabalhar com os alunos dos outros, ainda mais que é muito diferente a relação que se tem com as crianças. Eu acho que no fim nem é muito benéfico pras crianças, a maioria precisa estar com pessoas de confiança e essas mudanças sempre mexem com a rotina delicada delas.

Tem gente que vai trabalhar mais, eu peguei o e-mail que recebi quando cheguei e disse que não ia trabalhar mais não. Fiquei uma parte da folga ociosa mesmo, mas o que eu faço nesse tempo não é problema de ninguém. E quando este texto for ao ar, estarei linda e bela em Paris! Porque afinal de contas, eu mereço 😉

the love you take…

As férias da escola chegaram de novo e com isso tive que ir pro respite, trabalhar 48h em 5 dias, por isso não deu tempo de escrever aqui antes =/…

Mas antes de contar do respite (que dessa vez foi muito melhor), vim contar boas novas dos voluntários.

Já tinha umas semanas que o deputy da minha casa tinha me avisado que ele e a deputy da day house seriam os mentores dos voluntários. Desde que a gente chegou aqui, ninguém tinha se preocupado de “tomar conta” da gente. Reclamar das coisas pro RH não é eficiente, porque o RH cuida de trabalho, não de moradia e bem estar fora do trabalho. Faltava alguém pra quem a gente pudesse correr na hora do aperto. Ai esses deputies se voluntariaram pra cuidar da gente. Achei bem legal, mesmo que meio tardio (hello, 7 meses já!), ainda mais porque eu adoro o deputy da minha casa e tenho certeza que os outros voluntários também vão gostar muito de falar com ele!

Uma das coisas que eles querem fazer, que é uma das coisas que eu sempre reclamei que faltava, é juntar todos os voluntários periodicamente para uma atividade em conjunto. Claro que a gente pode se juntar independentemente, mas cada um tem uma escala de trabalho diferente e é difícil conseguir com que todos possam sair juntos, é legal ter alguém que possa coordenar tudo isso (falando com os outros coordenadores, por exemplo).

A primeira iniciativa foi fazer um jantar pra todo mundo no começo das férias, na única casa que só tem voluntário morando. Eles arranjaram tudo, comidas, bebidas e caça aos coelhos da páscoa de chocolate, haha!

Infelizmente nem todos puderam estar presentes, mas foi tão gostoso estar com a maioria de novo, depois de tanto tempo! Tem gente que eu passo semanas sem ver porque trabalha lá do outro lado do campus, em horários totalmente diferentes dos meus. E eu acho que a gente deu uma super sorte de ter um grupo que se dá muito bem, de pessoas muito legais! A diferença de idade é gritante (a maioria tem menos de 20 anos), mas é sempre divertido quando nos encontramos.

No cardápio do jantar estava curry de frango, lasagna vegana e arroz. De sobremesa tinha um brownie delicioso, cupcake de café que o meu deputy fez com muito amor <3 e até sorvete vegano (o de chocolate é delicioso, mas o Henrique T. não gostou. sobrou pra eu comer, hehe)!

Depois a gente resolveu ir pra um pub em Ringwood pra beber (eu só fui pela conversa porque bebi um refrigerante mesmo) e conversar mais, sem os “adultos” vigiando, hehe…

ch-ch-changes

Estamos perto de completar 7 meses aqui na Inglaterra. Mês que vem bato a marca recorde de tempo sem voltar pra casa: 8 meses, quando fui pro Japão e pro Canadá entre 2005 e 2006. Mas dessa vez é o maior tempo que eu passo no mesmo lugar.

Acho que a parte mais chata já passou, que foi estar longe de casa no Natal. Mas ultimamente as coisas ganharam mais cara de rotina e de “same old same old“, o que começa  incomodar um pouco.

Eu sabia que sentiria falta de algumas coisas sim quando viesse pra cá, e tem dias que é mais difícil estar longe do que outros. Tem dia que o frio incomoda, que a chuva aporrinha, que a falta de sabor na comida enlouquece… E isso tudo é em comparação ao que poderia estar sendo se eu não tivesse saído da zona de conforto.

Acho que o que mais marcou essa semana que passou foi a quantidade de comentário que recebi por me vestir “diferente”. No dia a dia estou sempre de calça jeans, camiseta e blusa. Sempre. Mas outro dia o tempo tava bom, ensolarado, e eu só teria a reunião da casa, então resolvi tirar meu vestido de inverno do armário.

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Todo mundo da casa comentou. E eu com aquela cara de “uéeeee”. Já sai com esse vestido um monte de vezes. No Brasil. Quem me conhece nem teria reparado muito (uns amigos ai com certeza ainda falariam que é a minha “fantasia” do dia). E ai fiquei pensando que eu sinto falta disso. De ser eu. Nem minha bagagem me permite ser eu 100%. Em parte eu sinto sim falta do estilo de vida que eu tinha em SP. Eu não gostava do trabalho que eu tinha que fazer pra ter dinheiro pra isso, mas poder vestir aquilo que eu gosto de verdade e encontrar pessoas que me entendem, disso eu tenho muita saudades.

Porém, como lembro meu colega filipino, a gente ainda tem mais outros 4 meses por aqui, então ou eu me contento com isso, ou vou embora. E eu acho que eu ainda tenho o que contribuir no trabalho. O trabalho, em si, é a melhor parte, na verdade. O time da minha casa é fantástico e em parte a gente se diverte nos turnos.

Alias, outro dia tive a oportunidade de conhecer outro lugar novo com os alunos. Swanage, uma cidade costeira aqui perto. O dia amanheceu super enevoado, mas eu tinha esperanças de que a nevoa se dissiparia e traria um dia bem bonito. Bom, talvez em Ringwood esse tenha sido o caso. Em Swanage, onde chegamos perto do horário do almoço, a névoa durou um bom tempo. A parte legal é que o Corfe Castle, na entrada da cidade, parecia cenário de filme. Apesar do tempo estranho, a praia até que tava bem cheia.

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O N. não gostou muito, passou o tempo todo falando que era uma “old smelly beach“, hahaha! Mas gostou da parada do almoço que foi num fish’n’chips local bem famoso (pela quantidade de gente).

No trabalho, deixamos de ter 6 alunos do dia no almoço, que foram realocados pra uma “day house“. A gente tinha 17 alunos, mais todo o staff necessário pra dar suporte pra tanta gente, e agora temos só 11 alunos. Deixamos de ter 10 pessoas pelo menos durante o almoço, o que mudou radicalmente a rotina do dia. Quando eu chego, o lugar tá bem mais calmo, e os alunos tem mais tempo e espaço pra se dedicarem aos seus hobbies.

Porém algumas pessoas do staff se foram ou estão indo também e isso as vezes é meio triste. Dentro da minha vida de voluntária, essas pessoas estão em grande parte da minha vida e é como se uma parte desse ciclo estivesse chegando ao fim com cada partida. Sei que é o melhor pra essas pessoas, mas eu não consigo deixar de achar que os dias vão perder um pouco da graça sem elas.

Mas a gente continua a nadar por enquanto, né? Até porque semana que vem já é half term DE NOVO (SIM SENHOR!) e eu já tô com minha grande viagem comprada. PARIS, JE ME VAIS ALLER A TOIS =P