happy birthday, my friend!

Happy birthday, Henrique!!!

É uma pena que eu não possa estar ai pra comemorar o seu dia com você… Era uma das coisas que eu queria muito fazer quando embarcamos nessa viagem louca! Mas eu sei que você está cercado de gente bacana e que vai se divertir! Espero que o dia esteja lindo e iluminado, como você! Aproveite muito essa oportunidade de ouro que a vida está te dando, todos os dias. Você é uma pessoa privilegiada, e nós que gozamos da sua amizade também!!!

o tempo não para mesmo

Nossa, já tem mais de 1 mês que voltei ao Brasil e não sei o que pensar. Parece que foi há tanto tempo, mas ao mesmo tempo parece que foi ontem!

Como eu falei, se eu pudesse ter voltado pra Inglaterra depois do nascimento do meu sobrinho, eu teria voltado sim. Sinto falta do trabalho e dos meus alunos. Queria saber como eles estão, se estão sendo bem cuidados, se estão desenvolvendo suas capacidades da melhor forma possível, etc.

E também sinto um pouco de falta da Inglaterra. Eu fui embora na melhor época, quando o tempo melhora, o dia tem mais sol, não faz tanto frio…

Também perdi de passar o solstício de verão nas pedras de Stonehenge! É o único dia do ano em que a visita é gratuita e você pode chegar perto das pedras, o lugar fica lotado e é uma verdadeira celebração. Henrique T. foi e disse que foi lindo, fiquei feliz que deu certo de ele ir, porque acho que ele queria ver isso muito mais do que eu!

Uma coisa estranha que só senti dessa vez é que me sinto muito deslocada geograficamente!!! Me sinto fisicamete afastada do resto do mundo! As Américas não sabem nada sobre ser o centro do mundo mesmo… Eu lembro que passei um tempão achando que eu era americana demais pra Europa, e talez em algum grau eu seja mesmo, mas existe algo sobre a Europa… Parece mesmo o lugar onde tudo acontece, principalmente das coisas boas!

Mas eu não tô reclamando de estar de volta não. Eu posso ver meu sobrinho crescer (tem uma mãozona!!!), brincar muito com a Brisa e ver meus amigos (que vejo muito menos do que eu gostaria). O momento político-economico é uma droga mesmo, mas tenho fé que vá melhorar e tudo voltará aos trilhos, de uma maneira mais fortalecida até.

to be or not to be… ?

Eu sabia desde antes de eu chegar aqui que os europeus em geral tem uma relação diferente com as origens das pessoas. Mais do que nascer em um lugar, você carrega a cultura do lugar onde seus genes se originaram. É assim que eles te classificam: se você tem ancestrais chineses, não importa onde você tenha nascido, você é acima de tudo, chinês. Talvez essa coisa cultural realmente se mantenha na Europa. Mas a gente sabe que no novo mundo, nas Américas, a coisa é diferente. Nossos ancestrais chegaram no novo mundo, alguns até achavam que não seria por muito tempo, mas foram englobados pela nova casa e os decendentes se fizeram americanos.

Então sempre que alguém me pergunta da onde eu sou, respondo que sou sim brasileira. E quando fazem uma cara de espanto já falo logo que sou nascida e criada no Brasil e não poderia ser outra coisa. Claro que me perguntam dos meus ancestrais, e ai explico que meus avós são imigrantes, mas que fizeram a vida e criaram as demais gerações misturados nas duas culturas. Mas que me sinto brasileira como qualquer outra pessoa nascida e criada no país. E falo: brasileiro não tem cara, a gente parece com o mundo inteiro.

Eu não acredito que alguém crescido se aculture a ponto de se transformar em outra nacionalidade. Você pode adotar hábitos diferentes, mudar como vê o mundo, mas lá no fundo, você é aquela cultura que te fez.

Claro que a gente se desliga um pouco do que acontece “lá em casa”, mas aquilo que verdadeiramente nos é caro, sempre vai chamar nossa atenção.

Eu nunca vim pra cá com a intenção de ficar ilegal ou arranjar um casamento/passaporte; inclusive tenho passagem de volta comprada já e com certeza, pelo menos por algum tempo, eu sei que vou voltar pro Brasil. Mas é um pouco desesperador acompanhar as notícias políticas do meu país. Eu tenho muita esperança de que as coisas vão melhorar, mas as vezes eu perco toda a fé na humanidade quando vejo a maneira como aqueles que tentam fazer a diferença de verdade são tratados. É tão triste ver que o dinheiro fala mais alto em todas as instâncias e que o povo é prejudicado por grandes corporações. Mas ao mesmo tempo, é bom ver que essa geração que sucederá a minha parece que realmente quer mudar isso tudo, que quer fazer um mundo melhor de verdade e põe a mão na massa pra isso.

Todo lugar tem seus prós e contras e não achem que estar num “país de primeiro mundo” te livra de problemas. Os problemas são diferentes, o ser humano é um ser muito estranho, mas não existe nada como o calor do seu lar. O lar é onde está seu coração, acredite, e enquanto ele pulsar, é pra lá que a gente volta sim.

fora da programação

Há quem ache que ir morar for por um tempo é só alegria. É verdade que boa parte é sim bem prazeirosa, mesmo quando parece que “deu ruim”. É tudo um aprendizado.

Mas a gente não simplesmente dá as costas pra tudo e pra todos quando “vai embora”. O lar é onde está nosso coração. E se tem lei que é impossível quebrar, mesmo querendo, é da física. Não posso estar em 2 lugares ao mesmo tempo, então inevitavelmente vou perder a chance de participar de alguns momentos importantes nas vidas de quem ficou no Brasil.

Renato & Silvia, esse era um casamento que eu queria estar presente, é importante a gente sempre celebrar o amor, principalmente de pessoas tão queridas! Que vocês continuem sendo muito felizes juntos!