tirando a poeira

Sei que andei meio sumida daqui, mas tive uma pequena crise existencial bloguística e simplesmente não rolou inspiração pra vir aqui postar.

Depois de pensar bastante, acho que já sei que rumo quero dar a este domínio, e espero conseguir criar o conteúdo com fluidez suficiente para não sumir de novo daqui.

Aguardem, que vem novidades!!!

o começo de tudo

Pois bem, por onde começo?

Eu já estava cansada do mundo do turismo há um tempo. Um campo ingrato que exige muita formação, com salários de chorar e nada de reconhecimento. E pra piorar, apesar de eu não estar no atendimento direto, fazia parte de vendas (back office) e só tomava na cabeça. Já tava querendo dar um tempo de tudo e inclusive me planejando pra isso quando a crise veio e, como a corda sempre arrebenta pro lado mais fraco, fui mandada embora.

Fiquei um tempo perdida meio sem saber o que fazer, com mil coisas passando pela cabeça mas sem nada que me prendesse.

Acho que essa coisa de retorno de Saturno e crise dos 30 é um fatão da minha geração, é a nossa crise de meia idade. Passamos pelas etapas da vida nas idades certas, mas sem maturidade nenhuma. Ainda somos adolescentes quando nos formamos na faculdade, não temos maturidade nem experiência pra avaliar o que fazer com a oportunidade de escolher um emprego, uma profissão e uma carreira e muito menos para perceber que estamos fazendo escolhas das quais poderemos nos arrepender no futuro. E um tempo depois, quando a poeira baixa e nos acostumamos a vida adulta, entramos em parafuso nos perguntando o que fizemos das nossas vidas, desesperados para procurar fazer a coisa certa. Somos a camada predominante da população e é por isso que parece que de repente todo mundo está em crise e largando tudo pra trás. E em parte é isso que acabou me motivando a fazer o mesmo. Como muita gente da minha idade está passando por crises e tendo culhões para fazer mudanças na vida deles, isso me mostrou que eu não estou velha como eu pensava para fazer o mesmo.

Insatisfeita com o emprego, sentindo que minha carreira não contribuía para a sociedade de maneira significativa, comecei a questionar qual o sentido da vida e qual minha missão, o que eu deixaria pro mundo e comecei a pesquisar como eu poderia ajudar o mundo. Foi ai que, numa conversa de bar, um amigo que também estava de saco cheio da vida me contou sobre aquilo que está prestes a mudar nossas vidas.

Camp hill é uma filosofia de ajuda holística a crianças e jovens com necessidades especiais de diversos níveis. É um trabalho de socialização e inserção dessas pessoas de maneira completa e sensível. Existem instituições camp hill espalhadas pelo mundo todo.

Meu amigo tem amigos no camp hill da Inglaterra que cuida de crianças de 6 a 23 anos e fizeram a “propaganda” do lugar, contando do esquema do voluntariado.

Funciona assim: você entra em contato com eles demonstrando interesse em se candidatar a uma vaga de voluntariado, eles pedem para responder um formulário e fazem uma entrevista via Skype com o RH. Eles perguntam de tudo, como uma entrevista de emprego. Perguntam o que você faz, como conheceu o camp, se está ciente de que é um trabalho que também exige físico (ao contrário do que estamos acostumados, não é ficar sentado o tempo todo na frente do computador) e muito contato com os alunos e se acha que suas experiências de vida podem ajudar no dia a dia do voluntariado. Não é necessário ter inglês fluente, precisa conseguir se comunicar (se virar) no dia a dia e não precisa ter experiência em cuidados com pessoas com necessidades especiais, mas é preciso ter vontade de aprender e ajudar o próximo, de se comprometer e não deixar a peteca cair.

Não é responsabilidade dos entrevistadores avaliar o nível do seu inglês, mas se você não conseguir interagir com essas pessoas, o que dirá do dia a dia com os alunos? Os entrevistadores são de diferentes nacionalidades, então o sotaque britânico não é um grande empecilho.

A resposta veio um tempo depois, falando das referências e logo vieram também as instruções para a solicitação do visto (no caso das pessoas sem passaporte europeu).

A primeira etapa da solicitação do visto é toda eletrônica. No caso desse voluntariado eu deveria solicitar um visto Tier 5 de trabalho voluntário. Como vou passar 1 ano, antes de tudo deveria pagar uma taxa de “seguro saúde” de 200 libras (sem isso não tem como prosseguir) e preencher o formulário.

No caso desse camp, eles providenciam moradia e alimentação durante o voluntariado, então para a solicitação de visto eu não precisei provar nenhum tipo de fundo financeiro.

Feito os procedimentos online e pago as taxas (mais uns US$ 300) você pode agendar um dia para a entrega desses documentos  (formulários e a carta de patrocínio que a instituição deve providenciar – pode ser a cópia que enviam por e-mail) e fazer o cadastro biométrico. Ai o passaporte e os documentos são enviados  (no caso do Brasil) para Bogotá onde será avaliado. Todas as etapas são informadas por e-mail, mas o resultado você só fica sabendo quando retira o passaporte  (ou recebe via sedex).

“Deixar as coisas pra trás” não é uma decisão simples nem covarde. Exige desprendimento e coragem para sair da zona de conforto, pra se aventurar no novo e desconhecido e principalmente pra deixar de conviver com quem a gente mais ama.