Japão – Arubaito Hitachi Toyokawa 2007

Já diria minha mãe que a gente não deve cuspir pra cima porque sempre pode cair na testa. Apesar de odiar a experiência de morar e trabalhar em linha de fábrica no Japão, um ano depois lá estava eu de novo…

Tipo de viagem: Trabalho
Duração: 3 meses
Destino: Japão
Acomodação: apartamento providenciado pelo contratante
Custos: visto + passagem financiada (promissória e contrato) + seguro de viagem (fiz por conta)
Requisitos: ser maior de idade, ser nikkei até 3 geração ou conjuge (de papel passado) viajando acompanhado

Como eu sai da outra vez com ódio no coração, não tirei o tal do re-entry, uma autorização para utilizar o visto que eu já tinha para voltar outra vez para o Japão. Tive que entrar com o processo todo de novo… Só que de um ano para o outro houve uma mudança no processo e o visto estava levando 6 semanas para ser liberado, e o solicitante ainda tinha que apresentar atestados de antecedentes criminais!

Resolvi voltar porque uma daquelas amigas que tinha ido para a Austrália estava de volta ao Brasil, sem fazer nada, e resolveu fazer um baito pra basicamente matar um tempo. Resolvi ir junto também porque consegui convencer meu melhor amigo a ir comigo. Coitado… Hahaha!

Sem saber, meu irmão foi pro primeiro arubaito dele na mesma região que eu estava indo. Ele embarcou umas semanas antes de mim, e eu cheguei lá um pouco antes do ano novo. De propósito, eu sabia que não poderia entrar na linha naquela época, mas queria passar o ano novo em Tokyo.

Fui na última festa da lendária Velfarre. Posso dizer que já fui na balada mais “topzera” do Japão, era muito foda mesmo <3

Pela primeira vez eu morei sozinha, num apato mini. Pra uma pessoa passar uma curta temporada, era bem de boa.

O trabalho era um pouco mais pesado do que o anterior, ainda era eletrônicos, mas eram peças bem maiores. Mas também tinha mais movimento, então a dor no corpo era igual. A coluna aguenta mais quando a gente pode dar uns passinhos pra cada lado durante o trabalho. Quando cheguei, tinha bastante hora extra, tanto que as vezes a gente ganhava jantar no expediente. Ah, e o expediente era diurno. O salário era menor do que na Sony também. A gente morava longe da fábrica, mas tinha transporte gratuito, porém não tínhamos bicicleta e todo o resto a gente tinha que fazer a pé. Meia hora andando até o centro…

No começo esse baito foi bem mais divertido, tinha bastante estudante, a galera parecia ser bem mais legal. Mas foi impressão. No fim, cada um é por si, e exatamente a imaturidade da pouca idade produz barreiras ridículas que impedem a turma se dar bem de verdade. Mas foi uma lição, aprendida a duras penas.

O legal foi poder reencontrar meu amigo japonês que conheci no intercâmbio, menos de um ano depois da gente se despedir no Canadá. Ele é muito maluquinho, mas foi bem legal ver um rosto familiar que dividiu comigo alguns dos melhores momentos da minha vida <3

Também encontrei meu irmão algumas vezes por lá. Eu morava em Toyohashi e ele em Toyokawa, as nossas fábricas eram uma do lado da outra, mas só dava pra sair nas folgas mesmo.

No fim fui uma das últimas a ir embora, já que não tinha aula na faculdade mesmo. Fui também para juntar dinheiro para viajar para os EUA, então abril foi uma boa época pra ir embora.